quarta-feira, maio 08, 2013

VOGUE - Bad girls go to… everywhere

Bad girls go to… everywhere

A perfeição imaculada, que era antes idolatrada e transportada num pedestal vê-se agora substituída por um culto das falhas, da diferença, do politicamente incorreto. Porque é que o público odeia Anne Hathaway, mas adora Jennifer Lawrence?


Jennifer Lawrence


Anne Hathaway

A resposta é simples: autenticidade. A polémica que se gerou em torno da vencedora do Óscar para Melhor Atriz Secundária, antes e depois da cerimónia, já foi alvo de escrutínio. Os Hathahaters, como se apelidam os que não simpatizam particularmente com Anne, elegeram-na a Celebridade Mais Irritante de 2013. Porquê? Por ser demasiado perfeita. Beleza escultural, talento inegável, casamento feliz. Estes são os três fatores que, aparentemente, são inofensivos mas, quando combinados em ameaça tripla, tendem a não ser alvo de aplausos. Gwyneth Paltrow sofre do mesmo mal. A artificialidade e a necessidade de agradar são os argumentos mais acenados por quem defende um regresso à autenticidade.

É aí que entra Jennifer Lawrence. Genuína, genial e sem qualquer filtro no discurso, Lawrence abrilhanta qualquer aparição em público com uns quantos palavrões e a sinceridade que raramente se vê em Hollywood.

O culto de personalidades como Audrey Hepburn ou Grace Kelly foram rapidamente abandonados pela necessidade de identificação. Alguém sem falhas é um espelho das mazelas pessoais e, portanto, um alvo fácil. Hoje em dia, o público procura nas celebridades a humanidade que espera ver no vizinho do lado – sejam as dores nos pés depois de um dia em saltos altos, uma cara sem maquilhagem ou mesmo uma queda quando se sobem os degraus de aceitação aos Óscares.

E o estilo reflete-se nisso. A admiração de nomes como Alexa Chung, Rihanna ou Kristen Stewart é o reflexo de um desejo por retirar a máscara do cabelo armado e vestido de baile. Calças rasgadas, looks pijama, peças em algodão, rasos e t-shirts são mais venerados que nunca – ao ponto de se tornarem objetos de desejo -, como que num escape às obrigações. O conforto é transportado para a rua e para os cocktails, quebrando dogmas e elegendo como ícones quem usa sandálias para uma gala, quem emparelha Converse com um vestido Balenciaga ou quem se expõe totalmente com toda a naturalidade.

Hathaway percebeu isso a tempo. No momento em que entrou na passadeira vermelha do MET com cabelo platinado, as salvas de palmas começaram a surgir. “Um ar mais vulgar dá-lhe, finalmente, o interesse. Deixou de ser aborrecida” ouvia-se, aqui e ali, em espasmos de surpresa e aprovação. Não vivemos na era dos contos de fadas, das princesas e meninas bem comportadas. Também não vivemos na revolução punk, na reivindicação e reestruturação. Vivemos na época da transparência, do cool, do natural, da ode às diferenças, às imperfeições. Sendo assim – e já que o estilo segue o passo da corrente – ainda haverá lugar para o glamour?

Por: Irina Chitas

Em: http://www.vogue.xl.pt/estilo/personalidades/7665-bad-girls-go-to

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